07/04/2009
O Gui chora de novo
Longa ia a noite quando começou a ouvir o choro de uma criança que não era sua. Não era sua e por isso não sentia um aperto no coração, por uma doença que estava a ser chocada ou por um cansaço físico manifestado em forma de birra. Sentia apenas compaixão e esperava que aquele silêncio que se segue ao choro viesse. Vem sempre com mais naturalidade no choro das crianças dos outros porque esse sabemos que vai parar mais depressa. Não é crueldade ou indiferença pelo sofrimento dos filhos dos outros é a dimensão que toma o choro de um filho nosso, a forma como se expande no tempo e como se agiganta dentro de nós.
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Ensaios
Escrevo em nome próprio
Tinha o cérebro a alertar-me para um eventual uso abusivo desta expressão “ em nome próprio”. Fiz uma busca na net e conclui que a minha memória, que me deixa muitas, muitas vezes, ficar mal, me apontava na direcção do disco de João Gil. Entretanto descobri que o que há por aí de actos “em nome próprio” é, como tudo o é na blogoesfera, incomensurável. Começando num blog abandonado desde 2006, passando por infindáveis actos de revolta de músicos contra discográficas ou contra companheiros de bandas, até mesmo um filme, imagine-se, que percorre o mundo.
Mas isto é bom porque quer dizer que o que está banalizado é de todos e, por conseguinte, é meu também para usar indevidamente. Falo hoje… escrevo hoje, em nome próprio.
Tenho andado sem tempo para nada, queria ter tempo para ler, para googlar, devia fazer umas visitinhas de médico e devia tirar um tempo para pôr a papelada em dia. Queria ir ao cinema, queria mesmo ir ao cinema. Mas não tenho conseguido. E tenho chegado à conclusão que tenho preenchido o meu tempo com coisas que não me têm dado o prazer que esperava.
Entre as coisas que me têm dado prazer estão os livros. Ando a ler três ou dois livros. Não reconhecem a forma de quantificação? Utilizam-na as crianças pequeninas. Como é possível que não se saiba quantos livros se anda a ler? Eu não sei, e se enlouqueço é outra a forma da minha insanidade.
Leio “As rosas de Atacama” de Luis Sepúlveda, gosto deste livro. Nunca tinha lido nenhuma outra obra deste escritor e esta parece-me um excelente primeiro contacto – não há impressão como a primeira. O livro soma curtas histórias de gente comum que o autor coleccionou ao longo dos anos; gentes anónimas e únicas que construiram países e apontaram caminhos a outras gentes também estas singulares.
Também ando a ler “Nos passos de Magalhães” de Gonçalo Cadilhe, outro autor para mim desconhecido. Não é um livro, é um jornal, um relato. Relata a história de Magalhães e a do nosso país de uma forma que, ainda, não se ensina nas escolas, ou talvez se ensine, nas universitárias, aos alunos do curso de história. Que não se ofenda o autor mas reafirmo que não é um livro, não na sua concepção tradicional, imagino-o muito mais como a reinvenção das crónicas ao estilo de Marco Polo – aí está um autor a pesquisar. Mas esta cronologia de hoje que segue a vida itinerante do português tem o mérito de nos fazer reflectir – os livros têm destas coisas – sobre a ironia das incompatibilidades humanas que mudam as vidas dos incompatibilizados, como foram D. Manuel e Fernão de Magalhães e dos outros, mais uma vez, anónimos e também alheios.
Leio ainda uma agenda cultural com notas interessantes, um livro “sem título e bastante breve e outros poemas” de Al Berto, a “Breve antologia da poesia portuguesa” que a fnac editou para o dia da poesia, e mais um … agora sim, atraiçoa-me a memória… cujo nome não me lembro e que como os três anteriores não posso considerar como um livro que ando a ler dada a natureza demasiado esporádica da leitura. Talvez não sejam três ou dois mas antes cinco ou dois - asseguro-vos que esta medição existe porque também já tomei conhecimento dela.
Estes dias têm passado pela intensificação da vivência com alguns amigos e pela redescoberta do prazer dos diálogos com “desconhecidos”. Dou-me a pessoas tão diferentes… pessoas que me ensinam que nas últimas sextas de cada mês o Casino Estoril tem noites com DJ’s convidados; pessoas que me ensinam que na última sexta-feira de cada mês o museu dos coches tem recitais e momentos culturais de entrada livre em que nos servem café e chocolates; pessoas incapazes de partilhar livros e outros incapazes de não os passar ao próximo; pessoas que dão formação sobre bonsais com objectivos beneficentes e outros que gastam dinheiro a frequentar formações de sushi; pessoas que vêem sempre, mas sempre, o que os outros têm de mais lindo e outras feitas cínicas, pela vida que tiveram ou sem motivo aparente.
Tiro prazer de um bom diálogo, da leitura e da escrita. Na escrita ensaio personagens retiradas de figurinhas ou de figurões; reflicto emoções perdidas; faço uso indevido das vidas dos outros mas esforço-me por respeitar intimidades - ao ponto de me encontrarem encriptada; busco silêncios gritantes e rumo a mim própria. Mas sobretudo ensaio … ensaio textos e palavras e faço-o em nome próprio; ensaio imagens e (com excepção da primeira foto que postei) faço-o em nome próprio. E rumo a mim própria e descubro que as pessoas não lêem as frases como eu as escrevo e isso faz-me mudar, mas só um pouco, a minha maneira de SER (dizer, ler e escrever).
Ensaio e aprendo.
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Sem cera
23/03/2009
Bichinho de Conta
Uma ilustração de Rita Antunes para o livro "Que bicho te mordeu?" de Maria João Lopo de Carvalho.
Bichinho de Conta
Conta-me o que comes
Oferece-me frutas frescas
Com que matas as fomes.
Bichinho de Conta
Conta-me onde vais
Conta-me estórias de sítios
E de grandes carnavais.
Bichinho de Conta
Espera por mim no jardim
Vamos juntos em viagem
Buscando o cheiro do jasmim.
Conta-me o que comes
Oferece-me frutas frescas
Com que matas as fomes.
Bichinho de Conta
Conta-me onde vais
Conta-me estórias de sítios
E de grandes carnavais.
Bichinho de Conta
Espera por mim no jardim
Vamos juntos em viagem
Buscando o cheiro do jasmim.
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Em estado puro
O futebol não é isto.
Não podia deixar de publicar, para a eternidade ou imortalidade, ou outra (calami)dade qualquer.
Paulo Bento - no directo da SportTV:
" Apesar de serem menos (os árbitros) às vezes parecem mais."
" Um fenómeno."
" A bandeira parece ter uma mola..."
Paulo Bento - no directo da SportTV:
" Apesar de serem menos (os árbitros) às vezes parecem mais."
" Um fenómeno."
" A bandeira parece ter uma mola..."
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Finger-food
A Desconfiança
É Bichinho venenoso
Crescendo dissimulado,
Deixa pedras no caminho
Põe-te a pau ou és caçado.
Alimenta-se do vazio,
de qualquer desentendimento,
Cresce gordo com soberba
Destruindo o sentimento.
Dão-lhe pernas para andar
e é vê-lo desenfreado
devorando, a belo prazer,
Tudo o resto semeado.
E se o facto lhe faz jus,
Temos causa perdida,
porque não mais recuará,
em toda a tua vida.
Para que tal não te suceda
previne-te, pois então,
destruindo-o à nascença.
Tens poder de comunicação.
Crescendo dissimulado,
Deixa pedras no caminho
Põe-te a pau ou és caçado.
Alimenta-se do vazio,
de qualquer desentendimento,
Cresce gordo com soberba
Destruindo o sentimento.
Dão-lhe pernas para andar
e é vê-lo desenfreado
devorando, a belo prazer,
Tudo o resto semeado.
E se o facto lhe faz jus,
Temos causa perdida,
porque não mais recuará,
em toda a tua vida.
Para que tal não te suceda
previne-te, pois então,
destruindo-o à nascença.
Tens poder de comunicação.
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Ensaios
O Desespero
O desespero lê-se nos olhos.
Pode o amor verdadeiro provar-se num beijo,
o desespero lê-se nos olhos.
Não nas roupas andrajosas,
que são também relaxamento;
Não nas mãos tremulas,
manifesto intenso de um rol de sentimentos;
Nem no coração apertado,
porque esse não se vê.
Vê-se nos olhos.
Choram ou secam.
Tristes que estão e em plena apreensão.
Contam vidas inteiras ou abusos repetidos;
Contam a perda de alguém ou a saudade prolongada.
Contam-me os teus …e os meus.
Pode o amor verdadeiro provar-se num beijo,
o desespero lê-se nos olhos.
Não nas roupas andrajosas,
que são também relaxamento;
Não nas mãos tremulas,
manifesto intenso de um rol de sentimentos;
Nem no coração apertado,
porque esse não se vê.
Vê-se nos olhos.
Choram ou secam.
Tristes que estão e em plena apreensão.
Contam vidas inteiras ou abusos repetidos;
Contam a perda de alguém ou a saudade prolongada.
Contam-me os teus …e os meus.
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Ensaios
E então? Nada a dizer!
E então? Nada a dizer!
Atiro para o chão a toalha com que limpava o rosto, dia após dia, ora suor ora lágrimas, lutando na esperança de um pequeno retorno, uma alegria por uma pequena consecução.
Não quero mais esperanças vãs. Tu não queres! e eu sozinha não consigo. Nem tão pouco (quando) munida de soldados incansáveis. Rendo-me! Deposito as minhas armas a teus pés, usa-as tu, se lhe achares proveito.
Arrependo-me já por um sofrimento maior que pressinto, mas não posso dar mais de mim. Dei-te voz, dei-te o motivo, a razão e a paixão. Mostrei-te o futuro e disseste: não!!
Cingida que estou ao teu esquecimento, anuncio com mágoa: sou, por decreto teu, igual aos demais.
Oh! meu motivo maior, feito causa de perdição. Peço desculpa! …ou talvez não.
Atiro para o chão a toalha com que limpava o rosto, dia após dia, ora suor ora lágrimas, lutando na esperança de um pequeno retorno, uma alegria por uma pequena consecução.
Não quero mais esperanças vãs. Tu não queres! e eu sozinha não consigo. Nem tão pouco (quando) munida de soldados incansáveis. Rendo-me! Deposito as minhas armas a teus pés, usa-as tu, se lhe achares proveito.
Arrependo-me já por um sofrimento maior que pressinto, mas não posso dar mais de mim. Dei-te voz, dei-te o motivo, a razão e a paixão. Mostrei-te o futuro e disseste: não!!
Cingida que estou ao teu esquecimento, anuncio com mágoa: sou, por decreto teu, igual aos demais.
Oh! meu motivo maior, feito causa de perdição. Peço desculpa! …ou talvez não.
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